Em partes me desfaço
Como raios aparecem e somem
Me transito em detalhes
E trago essa dor da ignorância
Fujo dessa perdição de nada
Canto alto para ninguém
Respiro esse eco de medo
Me torno o desespero da perda
O nada sou em tudo
Gritos dou para desfiladeiros
Sem sentidos linhas saem num papel
E tons destorcido ao ouvido escuto
Em instantes surge uma canção
E ventos cortam meu corpo
Suspiros de dor surgem de lugares
E a confusão toma a mente
Sem mais me entrego
Ao epitáfio imperfeito
Descrevo o que não há mais vida
Sem destinos traço linhas
E a tristeza em instantes torna-se distante
Graves sons tonteiam imagens a frente
Agudas voz traçam cortes ao meus olhos
Portas fecham perdendo caminhos
Precipícios surgem ao redor
Ódios correm no corpo
Medos corroem a cor
E a força me toma a alma
O som de um violino forte ruge aos ouvidos
Dizem dores, amores, medos, fraquezas e gritos
E confusão afinam e traz depressão e o pânico
Simples finos sons entranham a mente
Pecaminosos cheiros lembram prazeres perdidos
E em migalhas me deixo
Gritos me levantam a linha da partitura
Tortas e perfeitas em trilhas caminho
Chegarei ao destino incerto e sofrido
Mas sem dores, sem pânicos, sem medos e em lagrimas
Com força e desejos escalo esse espinho
Cortes no caminho surgem e em delírios fico
Suspirando o ar pesado e sangrento
Pássaros me guiam em direção ao alívio
E cantos adormecem minha alma
Uma queda surge me levando ao final do caminho
Ao chegar me despedaço e fico em alma
Me entrego ao fim sem ademais
Os olhos fecham e o corpo dorme
E então o Fim.
Emanuel Vargas